O dia 13 de julho marca o Dia Mundial de Conscientização do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Mais do que uma data no calendário de saúde, este dia nos convoca a uma reflexão profunda sobre como a nossa sociedade, as instituições e as famílias acolhem a neurodivergência.
Em um mundo marcado pelo
excesso de estímulos e pela exigência constante de produtividade e foco linear,
o sofrimento de quem vivencia o TDAH muitas vezes é silenciado ou rotulado de
forma simplista. Por trás de sintomas clássicos como a desatenção, a inquietude
e a impulsividade, existe um indivíduo singular, com sua própria maneira de
estar no mundo, de processar afetos e de se relacionar com o saber.
Historicamente, o TDAH tem
sido amplamente debatido sob a perspectiva neurobiológica, que aponta para
bases genéticas e alterações no funcionamento de neurotransmissores na região
do córtex pré-frontal. No entanto, para que a conscientização seja plena, precisamos
dar um passo adiante: compreender que a biologia não escreve, sozinha, o
destino de ninguém.
O desenvolvimento de uma
criança, adolescente ou adulto com TDAH é atravessado por sua história de vida,
seus vínculos familiares, o ambiente escolar e o suporte social que recebe.
Olhar para o TDAH de forma integrada significa:
- Substituir
o julgamento pela escuta: Compreender que a desatenção ou a agitação não
são "falta de limites" ou "desinteresse", mas sim
expressões de um funcionamento psíquico e neurológico específico.
- Valorizar as potências: Pessoas com TDAH frequentemente demonstram alta criatividade, capacidade de pensamento lateral (fora da caixa) e hiperfoco em áreas de profundo interesse.
- Promover
o cuidado multiprofissional: O manejo adequado envolve o olhar
compartilhado entre a medicina, a psicologia, a neuropsicologia e a
pedagogia, garantindo que o indivíduo seja apoiado em todas as suas
dimensões.
Neste Dia Mundial de
Conscientização, reforçamos nosso compromisso com uma prática que acolhe a
diferença sem reduzi-la a um rótulo. Diagnósticos são importantes para abrir
caminhos de direitos e intervenções adequadas, mas nunca devem aprisionar a
identidade de alguém.
Referências Bibliográficas
As diretrizes e reflexões teóricas que
embasam este texto foram fundamentadas nas seguintes fontes científicas e
institucionais de referência:
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA). Manual Diagnóstico e Estatístico de
Transtornos Mentais: DSM-5-TR. Porto Alegre: Artmed, 2023.
BARKLEY, Russell A. Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade: Manual para Diagnóstico e Tratamento. 3. ed. Porto
Alegre: Artmed, 2008.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Classificação Estatística Internacional
de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-11). Genebra: OMS, 2022.
ROHDE, Luis Augusto et al. Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade. Rev. Bras. Psiquiatr. 2000; 22(Supl II): 7-11.
Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbp/a/zsRj5Y4Ddgd4Bd95xBksFmc/?format=pdf&lang=pt. Consulado em: 09/07/2026.
Elaborado por:
CAL Adriana Cruz –
Psicanalista
Lions Clube Cuiabá Boa
Esperança
Assessora
da Iniciativa Global da Saúde Mental e Bem-estar do Distrito LB-4 para o Ano
Leonístico 2026-2027